A primeira vez que alguém te diz "roda o R", o normal é rodares a face que tens mais perto da mão direita. E enganas-te. Não porque sejas desajeitado, mas porque ninguém te explicou a regra antes de te dar a ordem — e essa regra, assim que a sabes, já não se esquece.
Não são cores, são posições
A primeira coisa a largar é a ideia de que R é "a face vermelha" ou U é "a face amarela". Não. Tanto faz o esquema de cores que o teu cubo tenha: R é a face que fica à tua direita neste momento, F é a que tens de frente, U a de cima. São seis letras — U, D, F, B, R, L, para cima, baixo, frente, trás, direita e esquerda — e as seis definem-se em relação a ti, não em relação ao cubo. Por isso, quando rodas o cubo inteiro para o olhares de outro lado, as letras não mudam de sítio: és tu que mudas de sítio, e o R continua a ser a face que tens à direita.
O apóstrofo não é um adorno
Uma letra sozinha, como R, significa rodar essa face um quarto de volta no sentido dos ponteiros do relógio, olhando para a face de frente. A mesma letra com um apóstrofo, R', é exatamente a rotação contrária: um quarto de volta para o outro lado. Não é uma nota de rodapé nem um pormenor para especialistas — é metade da linguagem. Uma fórmula que confunde R com R' não falha um pouco, falha por completo.
E às vezes aparece um 2
R2 não é "roda o R duas vezes seguidas" no sentido de dois movimentos: é uma rotação dupla, meia volta de uma só vez. O resultado é o mesmo sítio a que chegarias rodando R duas vezes, mas escreve-se e pensa-se como um só movimento. Com isto já tens as três peças: a letra diz que face, o apóstrofo diz para onde, o 2 diz quanto.
O resto são variações do mesmo truque
Se o teu cubo tem mais de três camadas por lado — um 4×4, um 5×5 — vais encontrar minúsculas ou um w colado à letra, tipo Rw. É o mesmo de sempre, mas movendo duas camadas ao mesmo tempo em vez de uma. E se algum dia praticares às cegas, vão aparecer M, E e S para os cortes do meio. Nenhuma destas variantes muda a regra base: continua a ser uma letra, um sentido e uma quantidade.
Não é preciso memorizar nada disto a ler
Isto entende-se muito mais depressa tocando do que lendo. Por isso, na página de Notação tens um cubo 3D a sério à tua frente: carregas em R, vês o que gira; carregas em R', vês que desfaz o que acabaste de fazer. Dois minutos ali valem mais do que reler este artigo três vezes.
E se em algum momento te cruzares com um Pyraminx ou um Skewb, não presumas que a notação é a mesma: aí as letras nomeiam vértices, não faces, porque são esses que giram. Vale a pena dar uma vista de olhos nem que seja por curiosidade — entende-se no mesmo par de minutos.